Educação alimentar para crianças
Reeducação alimentar para todos
Postado dia 01 de outubro

Alimentação pós-parto e sua influência no leite materno

O leite materno é o alimento perfeito até o sexto mês de vida, sem necessidade de complementação. É ele quem garante a oferta de nutrientes e agentes responsáveis pelo fortalecimento do sistema imunológico do bebê. Não existe leite fraco e a boa alimentação pós-parto assegura uma produção adequada e suficiente de leite. Contrariando a crença de que a mãe deve comer por dois: a lactente deve se preocupar com a qualidade dos alimentos ingeridos, garantindo que o corpo receba micronutrientes, proteína e energia, em dobro.

Portanto, a alimentação pós-parto equilibrada é ideal para suprir as necessidades do organismo. Com ela, não existe a necessidade de receber suplementação ou alimentos considerados lactogogos, para aumentar a produção do leite materno. 

Alimentação pós-parto

alimentação pós-parto

Não deve haver restrição calórica, durante o período do aleitamento materno ou pelo menos até o sexto mês. A perda de peso severa (maior que 10% do peso corporal total), acompanhada de ingestão insuficiente de nutrientes, pode levar a diminuição da secreção e produção do leite materno, provocando deficiências nutricionais maternas e, até mesmo, desnutrição puerperal.

Calorias a mais durante a amamentação…

Não se assuste, mas é verdade! A mulher na fase da amamentação deverá receber orientação de elevar entre 300 a 500 calorias o aporte calórico ao seu gasto energético basal.

Isso significa que, além das calorias recomendadas para uma mulher em idade fértil – praticante ou não atividade física – durante a amamentação deve consumir até 500 kcal a mais, diariamente, até quando o bebê estiver recebendo apenas o leite materno.

A partir da alimentação complementar, a mulher poderá retornar ao seu padrão alimentar semelhante ao da gestação sem o adicional calórico, a fim de retornar ao seu estado nutricional, antes de engravidar.

Verdades

1 – O leite materno pode ter seu sabor e cor alterados quando a mãe consumir determinados alimentos, influenciando diretamente na aceitação do bebê. Os alimentos que potencialmente interferem na composição do leite.

São eles: alcachofra, cebola, aspargos, nabo, cebola, alho, aipo, alho poró, repolho, brócolis, couve de bruxelas, couve flor e temperos como hortelã, salsinha e manjericão.

Naturalmente eles não necessitam ser excluídos da alimentação da lactante, mas devem ser consumidos sem excessos, a fim de evitar a recusa do leite por parte do bebê.

2 – Mesmo sem sentir sede, os líquidos devem ser ingeridos em abundância antes, durante e após as mamadas. É fundamental para a reposição da água secretada no leite materno e envolvida na sua síntese.

3 – Outro aspecto que merece consideração é a cólica em bebê. Essa é uma condição fisiológica, natural e inerente à imaturidade do seu sistema digestivo. Os seguintes grupos alimentares possuem relatos individuais e não científicos de episódios de cólica em bebê.

São eles:

  • Leguminosas: feijões, ervilhas, grão de bico e lentilha;
  • Alimentos crucíferos: repolho, brócolis, cebola, alho, couve-flor, couve de Bruxelas, aspargos e alcachofras;
  • Frutas cítricas: laranja, maracujá, limão e mexerica.
  • Leite de vaca.

Apesar desses relatos, o consumo não está proibido e não deve ser evitado, até a primeira manifestação de cólicas e choros frequentes. Para tanto, a cada refeição realizada, a mãe deverá observar e, de preferência, registrar o que foi consumido em cada refeição e ficar atenta às manifestações do bebê durante as próximas mamadas.

4 – Atenção para o consumo de frutas, legumes e verduras. Morango, tomate, uva e mexerica são os vegetais mais expostos à ação de agrotóxicos, podendo ser ingeridos pelo bebê através do leite materno. Sempre que possível, preferir os alimentos certificados como orgânicos ou comprados diretamente do produtor.

Mitos

Alguns alimentos são consumidos em grandes quantidades e com certa frequência por seus populares efeitos lactogênicos. Ou seja, alimentos “que tem o poder” de aumentar a produção de leite materno. Alguns desses alimentos fornecem boas doses de proteínas, vitaminas e energia; por este motivo podem ter algum efeito positivo, mas não interferem significativamente na produção de leite.

Exemplo: canjica, sopas e arroz doce. Na literatura científica, ainda são desconhecidas suas propriedades lacto gogas. Outros alimentos, como cerveja escura, caldo de carne, caldo de peixe e misturas de tubérculos não passam de tradições e costumes populares. Inclusive, eles podem ocasionar a diminuição da produção de leite, como no caso do consumo de bebidas alcóolicas.

Considerações finais

Não existe leite fraco. A alimentação pós-parto é o único fator que assegura a qualidade adequada e suficiente de leite. A mãe que amamenta não deve comer em excesso; mas sim assegurar que o organismo esteja ingerindo uma boa quantidade de proteínas, energia e micronutrientes, através da  alimentação no pós-parto, completa e balanceada.

Relaxe! prepare-se para o momento e aproveitar ao máximo esse período de amor e troca entre mãe e bebê.

Confira sempre as oficinas práticas que acontecem na Cozinha da Nutri. Elas podem ajudar e muito nesta fase tão importante!

Um abraço,

Nutrª. Débora Rosa

 

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