Mandamentos da Nutri

Depois de alguns anos de prática, e Os 20 mandamentos da Nutriterapia definem claramente o que uma alimentação saudável representa e descrevem os pilares em que o nosso trabalho está apoiado/filosofia de atuação.

Conheça os 20 Mandamentos da Nutriterapia…

1. Alimento natural em primeiro lugar, sempre.

É uma questão puramente evolutiva: os humanos evoluíram com uma alimentação baseada em ingredientes naturais e com pouco preparo. É indiscutível que a capacidade de preservar e preparar os alimentos expandiu e muito a expansão dos humanos pelo planeta, mas ainda assim, do ponto de vista estritamente metabólico, quanto menos preparado ou manipulado um alimento, melhor para a saúde.

2. Não tenha medo de descobrir novos sabores; nada de ruim poderá acontecer.

Grande parte das crianças é exposta a um cardápio bastante restrito durante a infância, o que faz com que o paladar também seja restrito. Com isso frequentemente comemos sempre os mesmos ingredientes como regra preparados sempre da mesma forma. No mundo atual é um enorme desperdício, já que temos uma enorme variedade de ingredientes e infinitas formas de prepara-los, com influências de todos os povos (viva a globalização!). Porque não abrir a mente e experimentar alimentos ou preparações novas? Temos que carregar por toda a vida os mesmos pratos que comemos desde a infância? O pior que pode acontecer é não gostar. Cair pedaço não vai!

3. Olhe para a sua comida. Conheça aquilo que vai comer. Explore as características do alimento, como cor, forma, textura, aroma, sabor...

Todos nós comemos pelo menos 3 vezes ao dia. É necessário prestar atenção no que se come, afinal é o combustível do nosso corpo. Não engula o alimento sem sequer perceber o que comeu. Perceba como a variação de texturas torna os pratos mais interessantes, o que é muito explorado nos bons restaurantes e pode ser aplicado a qualquer prato em qualquer dia. Sinta cheiros, aromas, temperos. Aprecie o que você come para começar a entender porque tanta gente fala que é possível sentir se o alimento foi preparado com carinho e atenção.

4. Mastigue lentamente. Perceba os sabores predominantes e reconheça os ingredientes da preparação.

Não dá pra enfiar a comida na boca sem olhar, dar três mastigadinhas fingidas, jogar para o canto da boca e engolir sem nem saber o que comeu. Há consenso científico de que uma das melhores estratégias para reduzir a quantidade de comida ingerida mantendo a mesma saciedade é comer devagar. E já que comer devagar é importantíssimo, porque não aproveitar pra tentar descobrir o que foi posto na sua comida? Os temperos são milhares e foram importantíssimos na história (rota das especiarias), gerando fortunas para países europeus. Eu garanto que quando você perceber o que está comendo não vai mais aguentar comer orégano, sal e vinagre todos os dias.

5. Busque ativamente novos alimentos para conhecer, explorar, degustar.

Se você vive em uma cidade grande aproveite. Nem sempre houve abundância de alimentos e nada garante que haverá para sempre (vide Venezuela). Procure novos restaurantes com novas culinárias regionais ou nacionais. Saia da mesmice de carne e macarrão todos os finais de semana. Há restaurantes de todas as nacionalidades e custos em uma cidade grande. Não se esqueça, comer fora é a forma mais barata de viajar.

6. Cozinhe. Não há maneira melhor de conhecer os alimentos senão cozinhando.

Sua avó muito provavelmente cozinhava, e você amava. Sua mãe possivelmente também cozinhava, e você amava. Alguém andou vendendo por aí que não é necessário cozinhar, é só enfiar o recipiente no microondas e voilà, sai pronto. Tudo muito legal e moderno, mas o preço a pagar é caro. Cozinhar não precisa ser um ritual de horas, mas ainda é a melhor forma de conhecer os alimentos e apreciá-los em sua plenitude, afinal foi você que fez ou alguém fez para você. Convenhamos, é muito mais divertido do que assistir televisão todas as noites.

7. Invista na qualidade dos ingredientes. Invista em saúde.

Somos bastante liberais com uma série de aspectos da vida, mas costumamos ser bastante rigorosos com o valor gasto no supermercado. Economizamos em alimento mas fazemos questão de comprar o amaciante ou sabão em pó de marca, como se fizesse alguma diferença. Comprar bons ingredientes não sai tão mais caro quanto comprar os ruins, e comprar alimentos frescos e de época costuma ser MAIS BARATO do que comprar alimentos não saudáveis. Se é pra escolher onde gastar seu dinheiro, compre alimento aditivado e gasolina comum.

8. Pratique. Cozinhar exige treino e é a prática que leva à perfeição.

Dizem os grandes chefs do mundo que excelentes receitas vieram de erros na cozinha. E se um prato sair errado minta descaradamente e diga que o plano era exatamente aquele. Se não está seguro para cozinhar, basta ser um pouco mais conservador nos temperos. Uma carne um pouco menos passada ou menos temperada é muito bem comestível, já um prato muito salgado ou apimentado é difícil de salvar.

9. Compre utensílios de cozinha que facilitem a sua vida. Cozinhar pode ser mais gostoso do que você imagina.

Uma série de utensílios domésticos (no meu tempo de infância havia uma feira chamada UD, ainda existe?) foi inventada em países onde as pessoas cozinham para si mesmos com o intuito de facilitar a sua vida. Raladores elétricos, amassadores de batata, processadores, batedeiras, liquidificadores, panelas a vapor, panelas elétricas. Até faca elétrica tem. Só falta criarem uma mãe elétrica. É muito mais fácil cozinhar usando a tecnologia. A única situação insolúvel é a cebola, tem que chorar.

10. Alimento frito “nunca”!

Esta é a regra de ouro da alimentação saudável. Não há nada mais calórico que as gorduras, e dentre elas não há nada menos saudável do que as frituras. Não há fritura saudável. Pode até comer, mas coma pouco e com culpa.

11. Abuse de ervas e especiarias e evite sal.

Pode até ser surpreendente, mas o fato e que nós não precisamos de sal para viver. Todo o sódio necessário para o organismo vem dos alimentos naturais, sem necessidade de adicionar. O sal como conhecemos é apenas um tempero e uma forma de preservar os alimentos como carne seca e bacalhau. Considerando que dispomos de geladeiras, o sal é apenas um tempero. E nem é dos melhores. Há centenas de temperos disponíveis nas prateleiras. Por que não testar?

12. Descubra novas formas de preparar o mesmo alimento.

Aquele saco de arroz no seu armário pode ser preparado de várias formas diferentes. Aliás há ingredientes que são comuns a culinárias do mundo todos, como por exemplo o arroz, a batata e a cebola, sendo a única variação a forma de preparo. Pesquise e invente.

13. Interprete os pratos que provar fora de casa e tente reproduzi-los em casa.

Se você seguir as dicas de números 3, 4 e 5, você vai experimentar novos sabores e vai entender o que está comendo. Aproveite as novidades recentemente descobertas e tente repetir em casa. Pode até não sai igual, mas até o pão com ovo de restaurante é diferente do seu.

14. Consuma alimentos da época. Eles são mais saborosos e mais baratos.

Se o objetivo é comer melhor sem comprometer o orçamento, a melhor escolha é comprar sempre alimentos de época, principalmente frutas e legumes. Essa é a melhor forma de fugir daqueles momentos em que o quilo do tomate custa 145 reais. Além disso, você varia o cardápio e se força a não comer sempre as mesmas frutas e legumes.

15. Sempre que possível, prefira alimentos orgânicos. Eles são mais saborosos e melhores para a sua saúde. De verdade!

Não adianta pedir para o governo. A única forma de os alimentos orgânicos serem mais presentes nas prateleiras é se mais e mais pessoas se conscientizarem de sua importância e comprarem. Alimentos orgânicos comprados na época certa (vide item 14) não são tão caros e não vem nadando em agrotóxicos, antibióticos e hormônios (os dois últimos principalmente em aves). Alguns dirão que não há evidência científica irrefutável de que estes alimentos sejam prejudiciais à saúde, mas ainda assim dá pra viver sem químicos. Em alguns países o uso de antibióticos se associa a seleção de bactérias e é considerado um problema de saúde pública.

16. Enfeite sua comida; decore seu prato. Um alimento precisa ser atraente para ser desejado.

Já diz o ditado popular que muitas vezes o “olho é maior que a barriga”. A indústria alimentícia entende a importância da apresentação para atrair consumidores, de outra forma nenhuma empresa investiria tanto quanto se investe em embalagens coloridas e atraentes e em personagens divertidos como estratégia de propaganda. Faça o mesmo com os seus pratos. Evite empilhar comida, varie as cores e monte o seu prato com cuidado e bom gosto. Por mais que o sabor seja fundamental, a apresentação não pode ser deixada de lado.

17. Valorize o alimento que você vai consumir. Trate-o com respeito e gratidão.

Toda mãe nos ensina a não desdenhar ou brincar com comida. Todos os animais lutam e muito pelo seu alimento, e não é diferente para nós humanos. O desperdício de alimentos é absurdamente grande no Brasil, e inaceitável. Planeje suas compras de forma a não desperdiçar, procure não colocar mais comida do que você pode comer. É uma ótima forma de economizar e sinal de respeito apreciado em todas as culturas.

18. Nunca desista de um alimento na primeira tentativa, seja ela decepcionante ou não.

Todo mundo tem suas birrinhas. Em geral essas birrinhas vêm da infância, pode perguntar para a sua mãe. Mas você não é mais criança e já pode entender que Jiló pode até não ser gostoso para você (porque é para muitas pessoas), mas não é necessário vomitar quando chega perto de um. Se você nunca comeu comida tailandesa, é natural que o sabor seja estranho na primeira tentativa. Esse fenômeno ocorreu no país quando proliferaram os restaurantes de comida japonesa. O sushi e o sashimi fizeram enorme sucesso e dominaram o mercado após mais e mais pessoas começarem a apreciar seus sabores. Mas há muito mais na culinária japonesa do que combinados de sushi e sashimi. Da próxima vez que for a um japonês, experimente algo diferente e não se esqueça, você muito provavelmente não gostou de sushi quando comeu pela primeira vez.

19. Conheça a culinária dos lugares que visitar. Essa é uma das melhores formas de conhecer (e não esquecer) a cultura do local visitado.

Poucas coisas na vida são mais prazerosas que viajar. Poucas coisas em viagens são mais divertidas do que apreciar a culinária local. Pra que comer moqueca quando se vai ao Rio Grande do Sul? Aproveite as viagens, aqueles momentos em que sua mente está aberta a novas experiências, para comer alimentos novos. Toda vez que você vir aquele tempero vai se lembrar daquele momento naquele lugar com aquela pessoa. Eu particularmente nunca vou me esquecer de um Bacalhau norueguês que comi em Portugal achando que era português…

20. Faça da alimentação um aspecto importante da sua vida e não algo que acontece entre as coisas importantes no seu dia.

O almoço costuma ser aquele momento de intervalo em que você aproveita para fazer outras coisas ou conversar enquanto come. Nos tempos modernos ninguém tira o olho do celular enquanto come, se passar uma barata no prato ninguém nem percebe. A alimentação é a única situação que se repete diversas vezes durante o dia, é provavelmente o aspecto mais importante da vida de todos os animais. A busca por alimentos é a diferença entre a vida e a morte no reino animal. Pense, entenda o que você está ingerindo, usando como combustível para o seu corpinho. É surreal notar que possamos ser mais zelosos com o que colocamos em nosso carro do que com o que colocamos na nossa própria boca. Invista em si mesmo, em sua alimentação.