Educação alimentar para crianças
Reeducação alimentar para todos
Postado dia 26 de setembro

Mandamentos da nutriterapia, a terapia da nutrição

Depois de alguns anos de prática, os mandamentos da Nutriterapia definem claramente a nossa filosofia de atuação e o que fazer para conseguir mudar o comportamento e ter uma alimentação saudável. São 20, vamos lá?

mandamentos da nutriterapia

 1 – Alimento natural em primeiro lugar, sempre 

É uma questão puramente evolutiva: os humanos evoluíram com uma alimentação baseada em ingredientes naturais e com pouco preparo. É indiscutível que a capacidade de preservar e preparar os alimentos expandiu e muito a expansão dos humanos pelo planeta.

Do ponto de vista estritamente metabólico, quanto menos preparado ou manipulado um alimento, melhor para a saúde.

2 – Não tenha medo de descobrir novos sabores…este é um dos principais mandamentos da Nutriterapia!

Grande parte das crianças é exposta a um cardápio bastante restrito durante a infância, o que faz com que o paladar também seja restrito. Com isso, frequentemente comemos sempre os mesmos ingredientes, preparados sempre da mesma forma. No mundo atual é um enorme desperdício, já que temos uma enorme variedade de ingredientes e infinitas formas de prepará-los, com influências de todos os povos. (Viva a globalização!)

Porque não experimentar alimentos naturais ou novas preparações? Temos que carregar por toda a vida os mesmos pratos que comemos desde a infância? O pior que pode acontecer é não gostar!

3 – Olhe para a sua comida, explore as características dos alimentos: cor, forma, textura, aroma e sabor.

Todos nós comemos pelo menos 3 vezes ao dia. É necessário prestar atenção no que se come, afinal é o combustível do nosso corpo. Não engula o alimento sem identificar o que comeu. Perceba como a variação de texturas torna os pratos mais interessantes, o que é muito explorado nos bons restaurantes e pode ser aplicado a qualquer prato em qualquer dia.

Sinta cheiros, aromas, temperos. Aprecie o que você come para começar a entender porque tanta gente fala que é possível sentir quando o alimento foi preparado com carinho e atenção.

4 – Mastigue lentamente. Perceba os sabores predominantes e reconheça os ingredientes da preparação.

Não dá para colocar a comida na boca sem olhar, dar três mastigadinhas fingidas, jogar para o canto da boca e engolir sem saber o que comeu. Comer devagar é importantíssimo, então, porque não tentar descobrir os ingredientes da sua refeição?

Há consenso científico de que uma das melhores estratégias para reduzir a quantidade de comida ingerida, mantendo a mesma saciedade, é comer devagar.

5 – Busque ativamente novos alimentos para conhecer, explorar e degustar.

Se você vive em uma cidade grande, aproveite. Nem sempre houve abundância de alimentos e nada garante que haverá para sempre (vide Venezuela!). Há restaurantes de todas as nacionalidades e custos em uma cidade grande. Não se esqueça, comer fora é a forma mais barata de viajar.

Procure novos restaurantes e novas culinárias regionais ou nacionais. Saia da mesmice de carne e macarrão todos os finais de semana.

6 – Cozinhe. Não há maneira melhor de conhecer os alimentos senão cozinhando.

Sua avó muito provavelmente cozinhava, e você amava. Sua mãe possivelmente também cozinhava, e você amava. Alguém andou vendendo por aí a ideia que não é necessário cozinhar; basta esquentar a comida no micro-ondas e “voilà”! Sai pronto… tudo muito legal e moderno, mas o preço a pagar é caro.

Cozinhar não precisa ser um ritual de horas, mas ainda é a melhor forma de conhecer os alimentos e apreciá-los em sua plenitude, afinal foi você que fez ou alguém preparou para você.

7 – Invista na qualidade dos alimentos. Invista em saúde.

Alguns de nós são bastante liberais com uma série de aspectos da vida, mas ainda costumam ser bastante rigorosos com o valor gasto no supermercado. Economizamos em alimento, mas fazemos questão de comprar o amaciante ou sabão em pó de marca, como se fizesse alguma diferença. Comprar bons ingredientes não sai tão mais caro quanto comprar os ruins.

Comprar alimentos frescos e de época costuma ser MAIS BARATO do que comprar alimentos não saudáveis.

8 – Pratique. Cozinhar exige treino e é a prática que leva à perfeição.

Dizem os grandes chefs do mundo que excelentes receitas vieram de erros na cozinha. E se um prato sair errado, minta descaradamente e diga que o plano era exatamente aquele. Uma carne um pouco menos passada ou menos temperada é muito bem comestível, já um prato muito salgado ou apimentado é difícil de salvar.

Tente! Se não está seguro para cozinhar, basta ser um pouco mais conservador nos temperos. Se salgar demais não dá para comer; com pouco sal é possível acertar no ponto!

9 – Compre utensílios de cozinha que facilitem a sua vida. Cozinhar pode ser mais gostoso do que você imagina.

Existe uma série de utensílios domésticos práticos, que facilitam a preparação dos alimentos. São eles: raladores elétricos, amassadores de batata, processadores, batedeiras, liquidificadores, panelas à vapor, panelas e facas elétricas e etc. Só falta criarem uma “mãe elétrica”. (kkk)

É muito mais fácil cozinhar usando a tecnologia. A única situação insolúvel é a cebola, ainda é necessário chorar…

10 – Mandamentos da Nutriterapia: alimentos fritos, nunca.

Esta é a regra de ouro da alimentação saudável. Não há nada mais calórico que as gorduras, e dentre elas não há nada menos saudável do que as frituras. Não há fritura saudável. Pode até comer, mas coma pouco e com culpa.

11 – Abuse de ervas, especiarias e evite o sal.

Pode até ser surpreendente, mas o fato é que nós não precisamos de sal para viver. O sal é apenas um tempero útil na preservação dos alimentos, como carne seca e bacalhau. Existe uma variedade enorme de temperos: salsinha, cebolinha, alecrim, manjericão, coentro, páprica, pimenta do reino e muitos outros!

Todo o sódio necessário para o organismo vem dos alimentos naturais, sem necessidade de adicionar. Há centenas de temperos disponíveis nas prateleiras. Por que não testar?

12 – Descubra novas formas de preparar o mesmo alimento.

Aquele saco de arroz no seu armário pode ser preparado de várias formas diferentes. Aliás, há ingredientes que são comuns a culinárias global, como por exemplo o arroz, a batata e a cebola. O que muda é a forma de prepará-los.

Pesquise e invente. Este é mais um dos mandamentos da Nutriterapia.

13 – Interprete os pratos que provar fora de casa e tente prepará-los.

Se você seguir as dicas de números 3, 4 e 5, você vai experimentar novos sabores e vai entender o que está comendo. Aproveite as novidades recentemente descobertas e tente repetir em casa.

Pode até não sai igual, mas até o pão com ovo de restaurante é diferente do seu.

14 – Consuma os alimentos da época. São mais saborosos e baratos.

Se o objetivo é comer melhor sem comprometer o orçamento, a melhor escolha é comprar sempre alimentos de época, principalmente frutas e legumes. Essa é a melhor forma de fugir daqueles momentos em que o quilo do tomate custa 14,50 reais. Além disso, você varia o cardápio e se força a não comer sempre as mesmas frutas e legumes.

Economia e variedade do cardápio ao mesmo tempo.

15 – Sempre que possível, prefira alimentos orgânicos. Eles são mais saborosos e melhores para a sua saúde. De verdade!

mandamentos da nutriterapia

Se as pessoas se tornarem mais conscientes da importância dos alimentos orgânicos e passassem a consumi-los com frequência, certamente encontraremos maior variedade nas prateleiras dos supermercados. E melhor: o custo deles poderá ser bem mais baixo! Alimentos orgânicos comprados na época certa (vide item 14) não são tão caros e não vem nadando em agrotóxicos, antibióticos e hormônios (os dois últimos principalmente em aves). Em alguns países o uso de antibióticos se associa a seleção de bactérias e é considerado um problema de saúde pública.

O alimento fora da estação perde o aroma natural, além de ser mais pobre em nutrientes. Por serem produzidos fora da época certa, recebem grandes doses de fertilizantes químicos e agrotóxicos. A longo prazo, você acredita realmente que estes alimentos não possam fazer mal a sua saúde?

16 – Enfeite sua comida, decore o seu prato. Um alimento precisa ser atraente para ser desejado.

Já diz o ditado popular que muitas vezes o “olho é maior que a barriga”. A indústria alimentícia entende a importância da apresentação para atrair consumidores. De outra forma, nenhuma empresa investiria tanto quanto se investe em embalagens atraentes e em personagens divertidos, como estratégia de propaganda. Faça o mesmo com os seus pratos.

Evite empilhar comida, varie as cores e monte o seu prato com cuidado e bom gosto. Por mais que o sabor seja fundamental, a apresentação não pode ser deixada de lado.

17 – Valorize o alimento que você vai consumir. Trate-o com respeito e gratidão.

Toda mãe nos ensina a não desdenhar ou brincar com comida. Todos os animais lutam e muito pelo seu alimento e não é diferente para nós humanos. O desperdício de alimentos é absurdamente grande no Brasil e inaceitável.

Planeje suas compras sem desperdícios; procure não colocar mais comida do que você pode comer. É uma ótima forma de economizar e sinal de respeito apreciado em todas as culturas. “Assino embaixo nos mandamentos da Nutriterapia!”

18 – Nunca desista do alimento na primeira tentativa.

Todo mundo tem suas birrinhas. Em geral, a teimosia vêm da infância; mas você não é mais criança e já pode entender que alguns alimentos podem não ser saborosos para você, porém muitas pessoas gostam. Como por exemplo: jiló e comida oriental.  Se você nunca comeu comida japonesa, é natural que o sabor seja estranho na primeira tentativa. Nos anos 80, o sushi e o sashimi fizeram enorme sucesso e dominaram o mercado após mais e mais pessoas começarem a apreciar seus sabores. Há muito mais na culinária japonesa do que o peixe cru!

Da próxima vez que for a um restaurante japonês, experimente algo diferente e não se esqueça: você muito provavelmente não gostou de sushi quando comeu pela primeira vez.

19 – Conheça a culinária dos lugares que visitar. Esta é uma das melhores formas de conhecer (e não esquecer) a cultura do local visitado.

Poucas coisas na vida são mais prazerosas que viajar e apreciar a culinária local. Então, porque comer moqueca de peixe quando se vai ao Rio Grande do Sul, se lá a especialidade é o churrasco e o arroz carreteiro? Particularmente, nunca vou me esquecer do “fora” que eu cometi em Portugal! Comi um bacalhau norueguês, achando que fosse português…e ainda paguei mais caro por isso! (kkkk)

Aproveite as viagens, aqueles momentos em que sua mente está aberta a novas experiências para comer alimentos novos.

20 – Faça da alimentação um aspecto importante da sua vida e não algo que aconteça entre as coisas importantes do seu dia.

O almoço costuma ser o intervalo em que você aproveita para fazer outras coisas ou conversar enquanto come. Nos tempos modernos ninguém tira o olho do celular enquanto come. A alimentação é a única situação que se repete diversas vezes durante o dia e provavelmente a rotina mais importante da vida de todos os animais.

Pense, entenda o que você está ingerindo, usando como combustível para o seu corpo. É surreal notar que possamos ser mais zelosos com o que colocamos em nosso carro do que colocamos na nossa própria boca. Invista em si mesmo, em sua alimentação.

É isso! Espero que tenham gostado dos mandamentos da Nutriterapia! Sei bem que na prática é diferente, mas não desistam…este é o processo da reeducação alimentar. Mudando o comportamento a cada refeição, quando você menos perceber, a meta de fazer refeições saudáveis já não será mais um problema.

Um abraço,

Débora Rosa

 

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